sábado, 28 de Novembro de 2009

Tudo é encontrar qualquer coisa.

Tudo é encontrar qualquer coisa.

Mesmo perder é achar o estado de ter essa coisa perdida.

Nada se perde; só se encontra qualquer coisa.

Há no fundo deste poço, como na fábula, a Verdade.

Sentir é buscar.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Projecto índigo/cristal



Estava nas minhas pesquisas diárias e encontrei um site que pertence à Fundação Casa Índigo .
Segundo o site, esta fundação resulta de um projecto de Tereza Guerra e Alain Aubry destinado ao estudo, esclarecimento e desenvolvimento de actividades de apoio a crianças e jovens de todo o tipo e características, incluindo crianças índigo, cristal, crianças dotadas, sobredotadas, super psíquicas, entre muitas designações e jovens que se identifiquem com estas energias do Novo Tempo.
O propósito do projecto em si pareceu-me positivo, mas achei lamentável cobrarem pelo "diagnóstico/acompanhamento" destas crianças e adultos índigo e Cristal:

Primeira consulta: € 70
Continuidade € 50

Por isso lanço a primeira Pedra: Se recebemos estas crianças nas nossas casas de graça, facultamos educação e amor de graça, porque não as ajudar de graça também?
Eu sou só uma pessoas entre tantas outras, mas proponho-me a ajudar no que puder os pais que necessitem de alguma informação sobre estas crianças por encontrar-me familiarizada com elas. Segue o e-mail dairesferreira@gmail.com para o qual podem recorrer caso sintam que devem proceder dessa forma.

A primeira informação que posso desde já disponibilizar resultou de várias pesquisas efectuadas na Internet - deixo como sugestão a leitura deste texto introdutório:

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Resta



...Se io riesco a parlare ora che sei con me
è un nuovo modo di usare dimmi tu che cos'è
tu che raccogli il mio cuore senza far rumore
da questo lato del fiume ogni cosa à piu facile
le mani scorrono libere su di te
tu che respire di pause della mia canzone
resta, resta, resta
ora che scrivo il tuo nome sull'acqua del fiume
passa tutto passa
tu non sei una primavera non sei una sera
perchè apro gli occhi e ti trovo ancora?
ti trovo ancora?...

Ana Carolina
Chiara Civello

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

De Pessoa

Deixam-se, primeiro, apodrecer as sensações;
depois de mortas embranquecem-se com a memória;
em seguida rubificam-se com a imaginação;
finalmente se sublimam pela expressão.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

II. Horizonte



O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.
Mensagem - Fernando Pessoa

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Ligação à Terra II


Ligação à Terra precisa-se!
E se me faz falta a Terra Amor,
Deixai-me deitar nela,
E que se deite nela também toda a extensão do que sou,
E que nela se consuma todo o desassossego d`alma.
E se me faz falta a Terra Amor,
Deixai-me deitar nela,
Para que possa fluir e serenar.
Kleine

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

De Mãos Dadas (Agape)



Vejo o teu olhar tranquilo,
E uma serena ausência, amor
Madrugada suave no cais
Olho-te bem nos olhos, sim
Choro reflectido no rio, no rio

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, ao amanhecer

Pelo mar adentro vou entrando
Como o teu semblante na memória, amor,
Pescador de sonhos
Vivo a faina pura, dia-a-dia,
Na incerteza de uma vida
Meu amor, eu volto

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, ao amanhecer

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, meu amor, ao amanhecer!

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, ao amanhecer

Fiz-me ao mar de manhã,
Na maré de ti, ao amanhecer,
Fiz-me ao mar de manhã
Na maré de ti, meu amor, ao amanhecer!

Na maré de ti, ao amanhecer!

Na maré de...
Na maré de ti..
Na maré de...
Na maré de ti..
Na maré de...ti, meu amor...
Na maré de ti...
Na maré de...
Na maré de ti...

Na Maré de Ti de Gil do Carmo


Para Todos



Um dia, quando um homem chegou tarde a casa, cansado e irritado após um dia de trabalho, encontrou, esperando por si à porta, o seu filho de 5 anos.

- Papá, posso fazer-te uma pergunta?

- Claro que sim. O que é?

- Quanto ganhas numa hora?

- Isso não é da tua conta. Porque me perguntas isso?! - respondeu o homem, zangado.

- Só para saber. Por favor... diz lá... quanto ganhas numa hora? - perguntou novamente o miúdo.

- Bom... já que queres tanto saber, ganho 10 euros por hora.

- Oh! - suspirou o rapazinho, baixando a cabeça.

Passado um pouco, olhando para cima, perguntou:

- Papá, emprestas-me 5 euros?

O pai, furioso, respondeu:

- Se a razão de tu me teres perguntado isso, foi para me pedires dinheiro para brinquedos caros ou outro disparate qualquer, a resposta é não! E, de castigo, vais já para a cama. Vai pensando no menino egoísta que estás a ser.
A minha vida de trabalho é dura demais para eu perder tempo com os teus caprichos!

O rapazinho, cabisbaixo, dirigiu-se silenciosamente para o seu quarto e fechou a porta. Sentado na sala, o homem ficou a meditar sobre o comportamento do filho e ainda se irritou mais. Como se atrevia ele a fazer-lhe perguntas daquelas? Como é que, ainda tão novo, já se preocupava em arranjar dinheiro?

Passada mais ou menos uma hora, já mais calmo, o homem começou a ficar com remorsos da sua reacção. Talvez o filho precisasse mesmo de comprar qualquer coisa com os 5 euros. Afinal, nem era costume o miúdo pedir-lhe dinheiro.

Dirigiu-se ao quarto do filho e abriu devagarinho a porta.

- Já estas a dormir? Perguntou.

- Não, papá, ainda estou acordado. - respondeu o miúdo.

- Estive a pensar... Talvez tenha sido severo demais contigo? - disse o pai.

- Tive um longo e exaustivo dia e acabei por desabafar contigo. Toma lá os 5 euros que me pediste.

O rapazinho endireitou-se imediatamente na cama, sorrindo:

- Oh, papá! Obrigado!

E levantando a almofada, pegou num frasco cheio de moedas. O pai, vendo que o rapaz afinal tinha dinheiro, começou novamente a ficar zangado.O filho começou lentamente a contar o dinheiro, até que olhou para o pai.

- Para que queres mais dinheiro se já tens aí esse? - resmungou o pai.

- Porque não tinha o suficiente. Agora já tenho! - respondeu o miúdo.

- Papá, agora já tenho 10 euros! Já posso comprar uma hora do teu tempo, não posso? Por favor, vem uma hora mais cedo amanhã. Gostava tanto de jantar contigo...

Internet

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Se fores ao Alentejo...



Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão :
Leva o coração aberto,
E ao lado do coração
Leva a rosa da justiça
E o teu filho pela mão.

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão :
Leva o teu braço liberto
Para abraçar teu irmão;
Esse irmão que está tão perto
Do teu aperto de mão
E que tão longe amanhece
Nos campos da solidão.

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão :
Leva a alegria de seres
Irmão de quem vai parir
Uma seara de trigo,
Uma charneca a florir,
Um rebanho e um abrigo
E um amanhã que há-de vir
Como se fosse outro amigo
Dentro do sol, a sorrir.

Se fores ao Alentejo
Não leves vinho nem pão :
Leva o coração aberto
E o teu filho pela mão.

Eduardo Olímpio