quinta-feira, 23 de maio de 2013

Quieta e sentada

Maternidade (1935) - Almada Negreiros

Quieta e sentada, 
Dentro do valor que sabe ser oiro em silêncio.
Sentia-lhe a ausência do amor duro e falto em braços finos, de saber agarrar a solidão.
E queria dormir e não podia,
E tinha frio mas não pedia.
Enrolou-se de pés e aos pés e mão em corpo até.
Ninguém abrigava.
Partilhei com ela o manto do Amor,
Puxou com todo o grito da falta – tapou.
E demorou o tempo para a mãe acordar,
E retirar o meu manto e com o seu Amor amar.

(2012)

2 comentários:

Elisa Encarnação disse...

Da beleza do sentir materno nasce o conforto do manto de Amar: porque Mãe não tem que ser de sangue...
Agapes! =)

Kleine disse...

Grande verdade! Obrigada és linda!