quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Constança e a Fonte dos Desejos


O antigo Porto continha inúmeros textos que com o tempo se perderam, no entanto, um desses textos permaneceu na minha memória até ao dia de hoje...
Não sei se foi por mais tarde ter conhecido a Constança-criança, mas o apelo para o recriar permaneceu a acompanhar-me muito subtilmente, pelo que avanço com a história de uma menina tão doce como o seu rebuçado...

Era uma vez uma menina muito pequenina que brincava alegre e efusiva pelas calçadas da rua - de seu nome Constança. Constança, a criança era uma autêntica força da natureza, dotada de uma personalidade fortíssima. Rara era a coisa que ela não conseguia - nem que fosse por pura teimosia - Constança lutava!
Mas, havia algo que a menina pedia e pedia e não conseguia...até que um dia, cansada e muito zangada por não conseguir, atirou-se literalmente para o chão a espernear e a chorar convulsivamente...
Nisto, parou de soluçar, e de um pulo só, sentou-se e ficou muito calada em frente da fonte...
Constança observava agora séria, as pessoas que por ali passavam...
Reparava que as pessoas estranhamente se chegavam à fonte, cochichavam, outros em puro pensamento falavam e depois atiravam uma moeda para a água!
E era ver a cara de espanto de Constança...
Levantou-se, endireitou o vestidito branco e lá foi ela ter com uma senhora que estava junto da fonte. Quando chegou até ela, puxou-lhe a saia, de forma que a senhora olhou surpreendida para aqueles grandes olhos brilhantes e perguntou:
- Que queres minha menina?
- Senhora, porque falam as pessoas com a fonte e deitam-lhe moedas?
- Minha querida, esta é uma fonte mágica!!! Tu pedes um desejo e mandas uma moedinha à fonte e o teu desejo realiza-se!
- Ahhhh! - Suspirou Constança com o ar mais admirado deste mundo e, agradecendo saiu a correr disparada.
Sozinha, Constança pensou:
- É isso! É Isso! Vou pedir à fonte para que o meu desejo se realize com toda a força do mundo e vou dar-lhe o meu rebuçado mais doce de todos!
Dirigiu-se então à fonte e assim fez, pediu o desejo e atirou o rebuçado mais doce...
Esperou toda a tarde, esperou mais um dia e outro e outro e outro, mas nada!
Constança zangada foi então junto da fonte e a chorar de tão magoada que estava, deu-lhe um pontapé e disse:
- Afinal tu não és uma fonte mágica! Tu não és uma fonte de verdade! Não realizaste o meu desejo quando eu dei-te tudo quanto tinha...
Sentou-se, soluçando continuadamente...e quando menos esperava, ouviu o seguinte:
- Minha querida Constança, nem sempre aquilo que pedimos é aquilo que verdadeiramente nos faz falta!
Mas afinal, aquela fonte falava!
A menina de tão assustada que estava só dizia:
- Mas... mas ...mas... afinal tu és mágica, tu falas!
Contudo, a fonte permaneceu calada...
Anos mais tarde, Constança entendeu a mensagem da fonte. Então, retornou já crescida, para lhe agradecer, com o seu sorriso mais doce!  

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